domingo, 12 de agosto de 2018

PROJETO WHITECOAT

Voluntários do Projeto Whitecoat (1964).

Entre 1954 e 1973, aproximadamente 2.200 membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) dos Estados Unidos da América (EUA) se ofereceram para experimentos de pesquisa médica. Outros 880 colaboraram com o programa como assistentes de laboratório e em outras funções auxiliares. 

Sob o pretexto de que os experimentos não seriam perigosos e protegeriam os EUA da guerra biológica, os capelães adventistas do exército norte-americano recomendaram aos recrutas adventistas que aderissem aos experimentos. A promessa era de que não seriam enviados para serviço militar no exterior. Esse projeto secreto foi denominado "Projeto Whitecoat", e chegou a ser promovido no The Youth's Instructor, a revista publicada para os jovens com o selo da Associação Geral da IASD. 

Contudo, foi revelado em 1969 que o Projeto Whitecoat esteve relacionado a pesquisas para o desenvolvimento de armas biológicas. Por essa razão, o projeto entrou nas manchetes como "a contribuição adventista para a guerra biológica". Seymour Hersh, um premiado jornalista investigativo, denunciou que esse projeto esteve largamente envolvido no desenvolvimento de armas biológicas. Em artigo publicado em dezembro de 1969, Hersh criticou a IASD por ter "elevado o engajamento no Projeto Whitecoat quase a um ato de fé".

É, no entanto, duvidoso que os líderes eclesiásticos estivessem cientes, desde o início, que o Projeto Whitecoat envolvia o desenvolvimento de armas biológicas. Todavia, mais tarde, esse assunto recebeu ampla cobertura da imprensa. Infelizmente, muitos cobaias sofreram problemas de saúde por causa dos experimentos, e alguns morreram prematuramente. 

O fato de a Associação Geral ter encorajado esses jovens recrutas a terem seus corpos deliberadamente enfraquecidos por doenças potencialmente letais demonstrou, na melhor das hipóteses, um juízo extremamente pobre e, na pior das hipóteses, um desejo servil de agradar aos líderes militares e apoiar os seus objetivos escusos. Os adventistas do sétimo dia são obrigados pelas mais enfáticas palavras das Escrituras a serem leais à sua nação (ver Mateus 22:21). No entanto, essa lealdade é anulada se desobedecemos a Deus em qualquer princípio, visto que apenas aqueles que são leais a Deus podem ser irrepreensíveis em sua lealdade à autoridades seculares. Encorajar jovens recrutas a quebrar as leis de saúde para atender aos desejos do governo é totalmente injustificável e não diz respeito a respeito e lealdade, mas sim demonstra uma postura vergonhosa e humilhante. 

Adaptado de Half a Century of Century of Apostasy, p. 263-264.

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